Quem é Bonitão, policial penal do RJ preso nos Estados Unidos enquanto caminhava na rua em Orlando

  • 25/04/2026
(Foto: Reprodução)
Policial penal do RJ suspeito de trabalhar para traficante internacional é preso nos EUA O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro foi preso na manhã desta sexta-feira (24), por agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), órgão federal do Departamento de Justiça dos EUA, enquanto caminhava em Orlando, nos Estados Unidos. O g1 apurou que autoridades do Enforcement and Removal Operations (ERO), um braço do setor de imigração ligado ao ICE, a agência federal de segurança dos EUA responsável por aplicar leis de imigração e alfândega que busca imigrantes ilegais, também atuaram na prisão de Luciano. A prisão aconteceu cerca de 48 horas depois da DEA pedir informações sobre Luciano à Polícia Federal no Rio de Janeiro. O policial penal estava foragido desde 9 de março quando seu nome foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Ele era um dos procurados da Operação Anomalia e tinha mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Conhecido como Bonitão, Luciano é suspeito de ter atuado na tentativa de atrasar a extradição de Gerel Lusiano Palm, traficante internacional de drogas. Luciano de Lima Fagundes Pinheiro mora em Orlando, nos Estados Unidos, onde trabalha em uma loja de material esportivo. Ele deverá passar por uma audiência de custódia na Justiça americana, que avaliará eventuais medidas e se o foragido da Justiça brasileira será deportado ou não. O g1 apurou que os americanos querem saber sobre essa possível ligação do policial penal do Gerel Palm e se há algum contato de Luciano com a facção Comando Vermelho. Também querem entender se ele está legalmente nos Estados Unidos. Luciano de Lima, conhecido como 'Bonitão' Reprodução O policial penal tem cidadania portuguesa, o que facilitou a sua entrada nos Estados Unidos por não haver a exigência de visto para entrar e permanecer no país. Essa permanência pode ser 90 dias. Diferente do cidadão brasileiro que precisa do visto para estar em solo americano. Apesar de morar nos Estados Unidos, Bonitão se mantém ligado ao governo do RJ. Em fevereiro, por exemplo, ele recebeu dois salários. Um pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) de R$ 2.963,99 e outro do Instituto de Assistência dos Servidores do RJ de R$ 3.234,74. Totalizando R$ 6.198,73. Procurada na ocasião, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que "Luciano de Lima Fagundes Pinheiro pertence ao quadro da Secretaria, mas esteve cedido a outros órgãos da administração pública estadual e federal". A nota completa está no fim desta reportagem. O Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj) não se pronunciou até o momento. Policial penal, Bonitão atuou como segurança de jogadores de futebol no início da década de 2010. Principalmente de atletas brasileiros que atuaram na Rússia. Luciano chegou a ser preso em 2014, na Maré, apontado como informante do traficante Marcelo das Dores, o Menor P. Ele seria o elo entre Menor P e o ex-chefe do tráfico na Rocinha, Antonio Bonfim Lopes, o Nem, mas recorreu em liberdade. Condenado, Luciano Pinheiro cumpriu pena. O policial penal obteve ainda na Justiça a reabilitação criminal. Em agosto de 2021, Bonitão virou alvo de investigação da Seap. O faraó dos bitcoins, Glaidson Acácio estava em período de quarentena na prisão quando recebeu, segundo a corregedoria da pasta, quatro pessoas no presídio: dois funcionários públicos e duas pessoas que têm negócios com G.A.S.. Um dos funcionários públicos se identificou apenas como Luciano e deu número de matrícula já desativado. A reportagem da TV Globo apurou na época e descobriu que se tratava de Bonitão. Na ocasião, o policial penal negou que tivesse visitado Glaidson. Sem problemas com a Justiça, Luciano Pinheiro foi nomeado na Assembleia Legislativa do Rio pelo então presidente André Ceciliano (PT). Depois foi para Brasília onde esteve cedido até fevereiro de 2025 ao gabinete do deputado Dr. Luizinho (PP). A assessoria de André Ceciliano disse que o policial penal foi uma indicação na Alerj pelo deputado André Lazaroni. Disse ainda que não se reuniu com o policial penal em Brasília e que "ele pode ter tentado vender um prestígio que não tinha". Desde então há notícias de que Bonitão divide seus dias entre o Rio e os Estados Unidos. "O homem de Brasília" Em 9 de março, a PF deflagrou a primeira fase da operação Anomalia. Quatro mandados de prisão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Três pessoas foram presas na ocasião: o delegado federal Fabrizio Romano, o ex-secretário de Esportes, Alexandre Carracena e a advogada Patrícia Falcão. As investigações apontam que o grupo tentou interceder para adiar a extradição do traficante de drogas Gerel Lusiano Palm. O cidadão de Curaçao é condenado por homicídio na Holanda e investigado pelo DEA, a polícia antidrogas dos Estados Unidos, por tráfico internacional. Delegado da Polícia Federal é preso suspeito de favorecer criminosos A ideia era impedir a extradição e dar asilo a Gerel Palm no Brasil. Para isso, há suspeita de que ele teria articulado uma reunião em Brasília para tratar do tema. Em interceptação telefônica, obtida com autorização judicial, o delegado Fabrizio Romano diz que Luciano manteve contato com o "homem de Brasília" e recebeu adiantado R$ 15 mil com a promessa de receber R$ 150 mil pagos pela advogada Patrícia caso desse certo o cancelamento do processo de extradição. Gerel foi preso pela Interpol no Rio de Janeiro, em 2021. Desde então, está no sistema penitenciário do RJ e não foi extraditado. O que dizem os citados Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) afirmou que "ainda que não foi oficialmente notificada pela Polícia Federal ou por qualquer outro órgão sobre eventual investigação envolvendo o servidor. Luciano de Lima Fagundes Pinheiro pertence ao quadro da Secretaria, mas esteve cedido a outros órgãos da administração pública estadual e federal. "O servidor retornou aos quadros da Seap nesta quarta-feira (11/03) e, no momento, não ocupa cargo ou função. O caso será apurado pela secretaria", informou. A assessoria do deputado federal Dr. Luizinho não retornou as perguntas feitas pelo g1.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/04/25/quem-e-bonitao-policial-penal-do-rj-preso-nos-estados-unidos-enquanto-caminhava-na-rua-em-orlando.ghtml


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